Cartas enviadas aos monteiros no final de cada montaria

2014

Amigos Monteiros
Ano após ano a semana que antecede a nossa montaria de Vale de Arquinha é vivida em minha casa com umas noites mal dormidas, ora tenho insonias, ora tenho pesadelos, mas este ano tive um sonho.
O sonho incia-se com a colocação dos postos na mancha, logo de seguida ouvem-se os primeiros tiros. Dou ordem para a primeira solta e os primeiros cães chegam à mancha. Começam as ladras, mando soltar as restantes matilhas. Aumentam as ladras. Aumentam os tiros que já são para cima de uma dúzia. Mas que animação, mais ladras, os tiros começam a soar em todas as armadas. É assim durante duas horas, animação divertimento, mais de 100 tiros, mas… Acordei, afinal era um sonho!
Bom voltamos ao trabalho, gostaria uma vez mais de agradecer a todos que nos acompanharam dia 1 de Fevereiro, o resultado foi muito além do esperado, não só cumprimos como organização como também a mancha cumpriu e provou uma vez mais ser uma das melhores que temos neste País!
O resultado foi o de:
– 39 javalis, dos quais 11 machos e 28 femeas.
– 130 tiros contados
– Muita boa disposição
Como curiosidade logo nessa noite, nos cevadouros, fotografamos 1 fêmea com 6 listados e outros dois javalis. Digo-vos também que muitos animais dos que fotografei na vespera da montaria não apareceram “à junta”, para o ano há mais…
Muito Obrigado e contamos consigo.
Nuno Vacas

2013

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A 10ª edição da montaria de Vale de Arquinha consegiu juntar um grupo de amigos que ocupou os 28 postos que ja tinhamos usado na edição anterior. Num dia que se previa bonito apareceu um vento forte que não permitiu que monteiros e matelheiros se apercebessem dos sons, dificultando o trabalho dos segundos e isolando o som de ladras e tiros aos primeiros, o que lhes permite ter uma melhor perceção dos acontecimentos.
Este vento forte era também responsavel por empurrar cheiros para a mancha evitando a saida de javalis do seu interior e que aqui acabavam por ser agarrados pelos cães.

A contagem de tiros por alguns caçadores permite-nos afiançar cerca de 90 a 100 tiros, tendo sido cobrados no final 37 javalis. Destes javalis tivemos 15 animais adultos e os restantes eram jovens com menos de 1 ano.
O resultado de javalis cobrados encontra-se na média de Vale de Arquinha que nos ultimos anos é de +1 javali por posto, tendo havido tiros em todas as armadas e ainda que nem todos os monteiros tenham atirado tivemos dois postos com 4 javalis cada.

Obrigado pela vossa presença e durante este ano iremos acompanhar e cuidar a população que esteja e venha a ocupar esta propriedade, semeando culturas e cevando em permanencia a mancha.

Nuno Vacas



2012

Ex.mos Amigos Monteiros
Foi desta!
Foi desta vez que lá chegámos. Pela nona vez realizámos a montaria de Vale de Arquinha; tínhamos 28 postos e cobrámos 57 javalis.

Esta mancha tem sido acompanhada desde o primeiro ano com o objectivo de ter uma população de javalis crescente. Desde a primeira edição que o número de javalis abatidos vem aumentando, conforme o demonstrado neste quadro:

 

Ano Total cobrados Nº postos Javali por posto Diferença
2004 23 41 0,56
2005 27 43 0,63 17%
2006 22 40 0,55 -19%
2007 53 40 1,33 141%
2008 36 38 0,95 -32%
2009 26 36 0,72 -28%
2010 57 36 0,72 -28%
2011 42 41 1,02 -26%
2012 57 28 2,04 36%
Média 38 1,04 26%

 

Desde essa altura nos preocupámos em dar uma montaria anual em que o serviço e o nosso trabalho fosse sempre o melhor possivel, mas acima de tudo em que a população de javalis fosse aumentando e que cada ano pudesse ser melhor que o anterior, mas desde que iniciámos a primeira edição que não sabemos onde podemos chegar.

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Ontem realizámos uma marca histórica em termos de javalis abatidos por posto, mas infelizmente não realizámos uma montaria perfeita:

  • Não me esqueço que a nova armada que preparei, apresentou 4 postos de fraca qualidade, noutras armadas retirámos alguns postos e foi precisamente aí que escaparam alguns javalis. Pretendemos no proximo ano fazer melhorias nesses postos para que os monteiros que não tiveram oportunidade de atirar este ano o possam fazer já na proxima edição.
  • Apenasdois machos adultos foram abatidos e nenhum é digno de registo.
  • No total foram cobradas 46 femeas e 11 machos, confirmando a existencia natural de maior número de femeas, nesta mancha.

Hoje mesmo voltamos à mancha para colocar alimentação e iremos durante a semana recolher as imagens fotográficas dos javalis que aqui continuam; com estas informações vamos estimando a população e aprendendo a geri-la.
Em relação aos monteiros que nos acompanharam nesta jornada e em anteriores, o Muito Obrigado porque têm sido eles a pagar todo este trabalho. Sabemos que não é barato caçar nesta mancha, mas espero que dêem por bem empregue o valor que nos entregam porque o mesmo é usado para todos os trabalhos de melhoria da mancha, alimentação de javalis, pagamento de taxas, impostos e rendas anuais, bem como para prestar o serviço que nos parece adequado a este evento.

Muito Obrigado e até à proxima jornada.

Nuno Vacas

 


2011

Ex.mos Amigos Monteiros,

Gostaria de dirigir a todos que nos acompanharam na 8ª edição de Vale de Arquinha um agradecimento pessoal.

Toda a equipe que preparou este dia, sabia que tínhamos pela frente um dia marcante. Um dia marcante, porque vínhamos de um bom resultado em 2010, que culminou com a entrega do prémio – mancha do ano 2010. Queríamos mostrar que esse resultado não tinha sido uma excepção à regra, mas o continuar do trabalho que vimos desenvolvendo em parceria com os proprietários de Vale de Arquinha. Sabemos que esta mancha tem frutos para dar e acreditavamos que este ano era ano de colheita.

grupoarquinha1Pela manhã deparamo-nos com um vento forte que as previsões meteorológicas apontaram para 25 a 28 km/h e com temperaturas baixas que as previsões situaram entre -3º C (às 9 h) e 2º C (às 12 h).

Cumprimos os horários estipulados e saímos com as 8 armadas às 9,45 h para os postos.

Às 10,30h soltamos as matilhas na mancha Norte e logo tivemos os primeiros tiros e javalis abatidos. Os rastos frescos eram constantes por todos os lados, mas a montaria foi decorrendo a ouvirmos poucas ladras e alguns tiros esporádicos, na primeira hora ainda contei 39 tiros, mas nessa altura eu cheguei à Ribeira onde se instalou alguma actividade com uma vara de javalis, que culminou com mais alguns tiros e 3 agarres que tentamos evitar mas sem sucesso. Apercebemo-nos que neste local havia mais javalis, que tentamos retirar com as matilhas a choque, mas os animais insistiam em sair a conta gotas. Passaram duas horas e tudo corria ao contrário do ambicionado, estavam a haver agarres, os javalis não apareciam aos postos e na mancha os matilheiros queixavam-se que os cães não saiam atrás dos rastos que eram frescos e constantes.

Eram 14 h, sabíamos que tínhamos de obrigar os cães a bater todos os matinhos para continuarmos a tirar javalis a conta gotas porque muitos monteiros continuavam sem atirar e era nossa responsabilidade levar-lhes o javali que acreditavam ter naquele dia.

Às 14,30h o frio e vento forte persistiam, os matilheiros estavam motivados para continuar a trabalhar, nessa altura continuava-mos com tiros muito esporádicos. Parei e pensei que maioria dos monteiros estava a passar um mau dia, com frio e vento forte, desabrigados, desconfortáveis, sem ouvir ladras, tiros e acima de tudo sem javalis para atirar. Nessa altura decidi dar ordem aos matilheiros para saírem da mancha e aos postores para recolherem as armadas.

Às 15 h, já os monteiros vinham de regresso ao monte e iniciamos a recolha dos javalis, tendo o quadro final apresentado 42 javalis, dos quais 4 navalheiros e 5 agarres.

Como responsável pela organização faço um balanço positivo deste dia porque:

1) conseguimos um quadro de caça digno de uma boa montaria, com 1 javali por posto

2) cobrámos o maior número de navalheiros em edições de Vale de Arquinha, 4 (10% do total ) contra os 3 do ano anterior (5% do total), o que nos indica que estamos a atingir o objectivo de melhorar a qualidade desta mancha

3) mas acima de tudo o que houve de mais positivo foi recebemos neste dia o prémio que a nossa organização mais ambiciona – RECONHECIMENTO E RESPEITO DOS CLIENTES, porque aguentar 5 horas ao frio e vento forte, sem estarem na sua grande maioria com roupa e agasalhos adequados para isso, sem ouvirem ladras, sem ouvirem tiros, sem verem cães, sem verem javalis e no final apresentarem cara simpática e alegre e agradecer à organização, é sem duvida o MELHOR PRÉMIO que podíamos receber este ano.

Em nome de toda a equipe da Sercaça apresento o MUITO OBRIGADO e um BEM HAJA a todos que nos acompanharam numa verdadeira jornada cinegética digna dos melhores MONTEIROS DE PORTUGAL.

Nuno Vacas

Registo de resultados dos diversos anos

A organização e o planeamento de uma montaria é um trabalho contínuo no qual colocamos o nosso empenho diário.
Todo o trabalho de um ano será posto à prova num único dia onde inúmeros factores (nem sempre controláveis) confluem para o sucesso ou insucesso da montaria. Aceitamos este desafio e procuramos em cada ano reforçar os pontos fortes e corrigir os pontos menos positivos de cada montaria. Os gráficos seguintes resumem os resultados obtidos e são mais uma ferramenta na nossa avaliação de cada zona de caça.

Em Vale de Arquinha, em média, o número de javalis abatidos tem aumentado ao longo dos anos. Embora este aumento seja alternado e não linear, desde 2010 que o número de javalis abatidos é superior ao número de postos como se pode observar no segundo gráfico.

O aumento do número de javalis abatidos aliado à redução do número de postos, permitiu uma clara evolução positiva no número de javalis abatidos por posto. Actualmente, a média situa-se entre 1,5 a 2 javalis por posto tendo-se já ultrapassado por uma vez, os dois javalis por posto como se pode observar no primeiro gráfico.

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Primeiras fotos da edição deste ano

Esta é a primeira selecção de fotos da 11ª edição da montaria de Vale de Arquinha. Brevemente disponibilizaremos todas as fotos da montaria.

Últimas fotos dos Cevadouros

cpm_98x99Prémio Miguel Potes

Época 2009/2010 – Melhor Mancha do Ano

Atribuído à Mancha de Vale de Arquinha (Sercaça)

Vídeos de Montarias passadas


Vale de Arquinha 2011

TV Caça – Recordar a montaria de Vale de Arquinha

Relatos enviados pelos próprios participantes

Ah Grandes Marteleiros!!

Vídeo enviado por Ana Paula Santos


“Sercaça: Montaria no Vale de Arquinha, Torrão” (04/02/2010) por TV Caça

arqu5A Herdade do Vale de Arquinha, em Alcácer do Sal, recebeu mais uma montaria ao javali, organizada pela Sercaça, que se dedica à gestão de caça e exploração equilibrada dos recursos cinegéticos.

Por volta das 8h30 começaram a chegar os 36 caçadores participantes na montaria, que iam aproveitando para rever e cumprimentar amigos e companheiros de jornada.

Depois do pequeno-almoço e do sorteio das portas, por volta das 9h30, ainda houve tempo para algumas entrevistas improvisadas entre caçadores, a demonstrar o bom ambiente vivido pelos amantes da actividade cinegética, antes de se dar início à montaria.

Depois de transportados os monteiros cada um para a sua porta, foram soltas as matilhas e deu-se início à caçada. A espera paciente e o silêncio dos caçadores partilhava o espaço com a adrenalina, o som dos cães e a explosão ocasional das armas, ou não fora esta uma manhã muito bem sucedida. Ao todo foram cobrados 56 porcos, de entre os quais alguns navalheiros, com um peso médio de 70kg.

Depois da montaria, que terminou por volta das 14h, e do almoço bem servido, procedeu-se ao desmanche dos animais e à recolha dos prémios.

Por entre as despedidas, iam ficando as promessas do reencontro para mais um dia passado em contacto com a natureza.


A Montaria” (24/01/2010) por Bartolomeu Barroso

Ao vinte e quatro de Janeiro de 2010, todos nós rumámos ao Solar Javalino de Vale de Arquinha.

Havia emoção a rodos, mas também apreensão por parte de todos nós que de uma ou outra forma, temos responsabilidades nesta javardice com
a palavra de ordem a ser:
– porra, a comida tem desaparecido, mas não se vê uma foçadela!!!

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O Nuno Vacas estava fora de si de nervosismo e quando houve a reunião preliminar com os matilheiros, mais parecia um condutor de escravos que um director de montaria.

Sorteio, com mais uma palestra do Nuno, a fazer lembrar um mestre-escola à antiga.

Coube-me em sorte o posto nº1 para grande alegria minha, dos meus amigos organizadores, e por que não, alguma disfarçada emolação de colegas monteiros.

À saída do monte o Ameixa disse-me: – olha que eu vou passar lá!!!! Se houver marteleirisse levas com a carabina nos cornos!!!!

O Nuno levou-me ao afamado posto UM.
Quando, cerca de cinco minutos depois, ainda sem cães na mancha, dei os primeiros três tiros, matando outros tantos javardos,
foi com emoção, comovida alegria, e indisfarçada vaidade, que ouvi nos rádios de comunicação da organização a voz do meu querido e festejado amigo João Costa a gritar:
– coloquem as portas!!!
O Bá já atirou!!! Dêem corda aos sapatos!!!
Seguiram-se três horas da mais pura emoção cinegética, Houve ladras, houve agarras, houve muitos tiros
e principalmente, houve o delírio desta nossa amada aventura da caça.

Quando o idolatrado Ameixa, chegou ao pé de mim com a sua fabulosa matilha que me atrevo a baptizar de “Matilha Viva a Morte” matei mais um porco e, com o matilheiro, festejei o facto.

Ainda me coube em sorte mais um quando já ouvia a “Polaris” do Nuno para me vir buscar.
Houve ainda, no entrementes, tempo e porcos, para errar três clamorosamente, o que, pela conversa do monte, não contei ao Ameixa.

Mataram-se cinquenta e sete javalis, foi a melhor montaria de sempre em Vale Arquinha, a todos nós que com ela vibrámos que, nesse dia, fomos um pouco de D. Dinis e de D. Carlos I, à organização, onde falta mencionar o excepcional Zé Manel e a sua simpatiquíssima mulher e, por último, mas não por menos, a incansável e sempre amável Cecília, aos monteiros, aos matilheiros, ao Alentejo, esse centro do mundo, e, em muito especial aos cães e aos javardos, um grande bem haja.